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O que é marcação a mercado e como ela funciona?

Atualizado: 22 de out. de 2021



Você com certeza já deve ter se perguntado sobre a (i)mutabilidade dos investimentos em renda fixa e variável, certo? O que define a oscilação de preços de ativos é a marcação a mercado, e esse conceito precisa ser entendido por você, investidor.


A nomenclatura "investimento em renda fixa" pode gerar uma pequena – mas entendível – confusão: é esperado, por aquele que não tem ainda um conhecimento aprofundado acerca do mercado financeiro, que o valor inicial da sua aplicação se mantenha realmente fixa em todos os sentidos, mas não é bem assim que funciona.


Por este motivo, entender sua definição e aplicabilidade é tão importante. Entenda com a EA Banking School o que é essa atualização de preços de alguns títulos, como ela funciona, bem como a magnitude desta solução para com o seu investimento.


Mecanismos de marcação a mercado: o que são?


A denominada marcação de mercado nada mais é do que a atualização, usualmente diária, dos preços de títulos de renda fixa ou cotas de fundos de investimento.


Melhor dizendo, é a marcação de determinado ativo pelo seu preço de venda, ou seja, caso você tenha investido em um título de renda fixa ou cotas de ações ontem e, hoje, queira repassá-lo, ele provavelmente terá outro valor – que pode ser maior ou menor do que o investido.


A situação determinante da marcação a mercado é justamente acerca da possibilidade de resgate antecipado de ativos, ou seja, a venda (ou resgate) deles antes do vencimento.


Segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), todos os fundos de investimentos têm a marcação de mercado como obrigatória, já os títulos regulados por ela são:

  • Certificados de Depósito Bancário (CDB);

  • Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI);

  • Certificado de Recebimento do Agronegócio (CRA);

  • Tesouro Direto;

  • Letra de Crédito Imobiliário (LCI);

  • Letra de Crédito do Agronegócio (LCA);

Diariamente o administrador do fundo deverá, obrigatoriamente e simplificadamente, divulgar os preços dos ativos. Situação análoga se dá quanto aos títulos.


Para entender melhor sobre ações, nosso guia simplificado para novos investidores promete e cumpre seu objetivo de fornecer um passo a passo para comprar ações.


Objetivos da marcação a mercado


Antes de partirmos para como, de fato, funciona a marcação a mercado, é interessante que se entenda por que este mecanismo é utilizado. E o objetivo mais central desta atuação é, justamente, proteger aquele que investe.


Mas como essa proteção é possível? É fácil: quem investe precisa ter segurança na aplicação, e ainda necessita saber que aquele fundo não será perdido por ele. Pensando nisso, a cotização de resgate já auxilia o investidor, mas e o que protege os demais investidores?


Sendo assim, a marcação de mercado também tem como norte atravancar o deslocamento de ativos do fundo de um cotista para o outro indeliberadamente, possibilitando que perdas e ganhos sejam distribuídos entre quem fazia parte do fundo na baixa e na alta dos juros.


Ademais, por conta de possuir características de transparência,todas as atualizações sobre as quedas e aumentos de juros devem estar claras para todos os investidores, de modo que eles saibam que estão sendo protegidos de alguma forma.


Como a marcação a mercado funciona na prática?


Agora sim, a marcação a mercado leva em consideração três fatores quando falamos da sua aplicabilidade e funcionamento, sendo eles:

  • contexto econômico: da inflação, a taxa Selic, acontecimentos políticos e influências advindas de mercados externos etc;

  • a demanda dos investidores por ativos;

  • valor dos novos títulos emitidos no mercado financeiro;

A partir destes três parâmetros, tanto o preço unitário (preço pago pelo ativo) como a taxa de remuneração e cotização de resgate do ativo serão influenciados pela marcação a mercado.


Ou seja, o reajuste do preço da cota ou valor do título poderá ser reajustado para cima ou para baixo do valor investido.


Em geral, o cálculo da marcação de mercado tem como base os valores médios dos ativos disponíveis em títulos ou ações dividido por 1 mais a taxa de juros elevada no prazo até o prazo de vencimento.


Para que fique mais visualizável, temos um exemplo:

  1. primeiro, tenha em mente que todos os títulos prefixados possuem o valor nominal de 1 mil reais;

  2. considere que você comprou um título do Tesouro Direto, que é prefixado e possui taxa de remuneração equivalente a 5% ao ano, logo, você investiu 1 mil reais como preço unitário;

  3. após esse investimento, se a taxa básica de juros (os 5%) subir, o seu título valerá menos e, caso você o resgate antes do vencimento, receberá de acordo com o valor de mercado do dia anterior ao resgate (ligado à cotização);

  4. no caso de a taxa de juros cair, os novos títulos, consequentemente, serão mais rentáveis, ou seja, a sua venda desse ativo será vantajosa, caso queira repassá-la para outros cotistas de seu fundo.

Se a taxa de juros aumenta, o preço unitário cai, e se ela cai, logo, seu preço unitário aumenta. Tenha sempre isso em mente.


Fatores que interferem na marcação a mercado


Para cada ativo existem formas diversas de marcação a mercado, e é sobre isso que vamos falar agora, bem como cada um desses elementos influenciam no cálculo da MaM.


1. Liquidez dos ativos


Esta nomenclatura representa a velocidade com que um ativo financeiro poderá ser revertido em pecúnia, ou seja, o tempo que demorará para que seu investimento possa ser levantado, por você, em dinheiro, sem perder seu valor inicial.


Tem ligação direta com a facilidade de venda do ativo, de modo que os mais fáceis de passar para frente possuem alta taxa de liquidez, enquanto os que encontram mais dificuldades para serem vendidos possuem, por sua vez, baixa liquidez.


2. Tipos de rentabilidade de cada investimento


A rentabilidade é a capacidade de retorno de um ativo e existem, no mínimo, três tipos de formatos, sendo elas:

  • rentabilidade pré-fixada: estas dizem respeito ao retorno exato do investimento por meio de uma porcentagem conhecida anteriormente ao investimento, como por exemplo, o tesouro direto prefixado - 7.99% ao ano;

  • rentabilidade pós-fixada: ao contrário da renda pré-fixada, acompanha um indicador, sendo usualmente a Selic ou CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e CDB (Certificado de Depósito Bancário), que determinar o percentual de remuneração do investimento apenas no momento de seu resgate;

  • rentabilidade híbrida: é a combinação das duas modalidades acima, como por exemplo, o Tesouro IPCA (pós-fixado, baseado no índice IPCA do momento do resgate) + taxa pré-fixada atrelada ao IPCA (inflação, baseado no momento do investimento);

Quando é aplicada a marcação a mercado?


Nos títulos em renda fixa, por exemplo, a marcação a mercado só se aplica em resgates antecipados, ou seja, quando os ativos investidos são cotizados em dinheiro e disponibilizados ao vendedor da ação.


Por sua vez, no fundo de investimentos, as cotas terão seus preços definidos pela própria marcação de mercado. Logo, na data da venda, o resgate do fundo será referente ao valor marcado a mercado no último dia de cotização daquele determinado resgate.


Caso o investidor opte por manter o título ou cota de investimento até a data de seu vencimento e só aí, então, o vender, vai ter o retorno da remuneração combinada na compra. Ou seja, se você vende seu título antes do tempo, irá perceber a quantia equivalente ao preço de mercado daquele dia. Pode ser vantajoso, como também pode não ser.


Neste ponto, indicamos fortemente a leitura do blogpost sobre da cotização de resgate. Acreditamos que este conteúdo irá agregar ao seu conhecimento financeiro!


Vantagens e desvantagens da marcação a mercado


Como basicamente tudo na vida, o mecanismo de marcação a mercado possui prós e alguns não tão prós assim (mas não impraticabilidades).


Que a MaM tem como maior meta proteger os investidos, nada mais justo que esta estratégia seja transparente quando da demonstração real do valor de carteira de cada investidor.


Como benefícios da marcação a mercado, podemos citar, além da transparência:

  • confiabilidade da negociação;

  • lucros e prejuízos distribuídos de forma proporcional a todos os cotistas do mesmo fundo;

  • evita a distorção dos valores de mercados de títulos, haja vista a consideração da volatilidade dos juros;

  • evita a defasagem do valor do título ou ação.

Como "desvantagens" podemos citar apenas que a marcação a mercado funciona melhor quando o mercado financeiro e econômico está estável e eficiente. Saber interpretar suas movimentações fará diferença quando se trata de oscilações de juros e aumentos ou diminuições da carteira.


O planejamento financeiro é muito importante quando se trata de precaução acerca das possíveis oscilações mercadológicas, não apenas com títulos de renda fixa e investimentos variáveis. E, sabendo disso, a EA Banking School oferece não só conhecimentos profissionalizantes, mas de vivência no mundo moderno. Afinal saber é poder!