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Ciência da produtividade: hacks para melhores resultados e menos estresse no banco

Já pensou em ser mais produtivo no seu dia a dia de trabalho no mercado financeiro?


O professor Roberto Cazzetta desenvolve, neste artigo, a ciência da produtividade, onde traz uma série de ações que atuam para melhorar os resultados e para diminuir o nível de estresse dos profissionais dentro de um banco.






O cérebro humano é um mecanismo complexo que, ao mesmo tempo em que possui um enorme potencial criativo e capacidade de processamento, pode facilmente ser sobrecarregado. Isso é tão verdade quanto maior for a quantidade de informações a que estamos expostos e a necessidade de apresentar resultados continuamente.

Você, profissional financeiro, já deve ter percebido que isso se enquadra perfeitamente no seu dia a dia de trabalho. Portanto, precisamos aprender e ensinar ao nosso cérebro como lidar e processar corretamente a sobrecarga de informações que recebemos em nossa função.

No livro “A Arte de Fazer Acontecer”, de David Allen, são apresentadas algumas técnicas já validadas pela ciência e que resultam em menor esforço mental, maior clareza, foco e, consequentemente, resultados. Tais técnicas serão resumidamente apresentadas neste artigo por meio de ideias de como implementá-las em nossa rotina bancária.


Psicologia Positiva


O bem-estar psicológico afeta o desempenho. Portanto, apesar dos desafios e problemas que surgem no dia a dia, é fundamental manter a tranquilidade, dar pausas e pensar sob uma perspectiva mais ampla. Outro ponto importante é entender o que mais te motiva para o trabalho, além da remuneração.

Quando conseguimos aliar o trabalho com algum propósito mais amplo, a alta performance torna-se algo mais natural, evitando o desgaste psicológico que a busca constante pelos resultados pode nos trazer.

Por último, cuide das qualidades de suas relações no trabalho, pois o relacionamento pode ser tanto uma fonte de renovação, como uma fonte de esgotamento. Invista seu tempo e energia nas pessoas certas.


Cognição Distribuída

De acordo com o estudo Getting Things Done: The Science behind Stress-Free Productivity (Heylighen, Francis and Vidal, Clément, 2007), a nossa mente serve para ter ideias, não para armazená-las, sendo ótima para reconhecer, mas péssima para se lembrar das coisas. De fato, quando você não anota e organiza suas tarefas, compromissos, objetivos e processos, está sobrecarregando a sua mente com informações desnecessárias e que irão fazer com que ela não funcione tão bem.

Por isso, é preciso montar um sistema de agenda, calendário e captura de informações (pedidos de clientes e colegas) que faça com que você precise se lembrar o menos possível das atividades que você precisa realizar no banco, devendo estar focado somente na atividade presente.

Alívio da Carga Cognitiva das Pendências

Quando deixamos tarefas incompletas, mal encaminhadas ou mal resolvidas, isso ocupa um espaço desproporcional em nossa mente. Ou seja, não importa quão pouco importante seja a tarefa, ela irá ocupar o mesmo espaço que uma tarefa mais valiosa.

Esse é o preço que se paga por não destinar corretamente as tarefas pendentes.

O bom é que destinar não significa concluir, mas sim dar um destino: excluir de vez ou reagendar, por exemplo. Por isso, novamente é reforçada a importância de um sistema confiável de captura e processamento das informações recebidas para que mesmo as tarefas menores que estiverem pendentes não fiquem sobrecarregando a nossa mente.

Um bom exemplo disso no banco é: em vez de não responder uma mensagem do cliente e apenas deixar para depois, o melhor é responder logo, mas dizendo que vai retornar mais tarde, anotando essa informação em um registro confiável de consulta (ex. agenda, calendário, sticky notes, etc.).


Teoria do Fluxo

O estado de fluxo diz respeito à concentração total em uma determinada atividade, sendo considerado o estado ideal para engajamento e desempenho. Inicialmente, foi identificado em atletas, mas um estudo de 10 anos realizado pela McKinsey com executivos apontou um aumento de produtividade de até 5 vezes quando os mesmos conseguiram trabalhar em estado de fluxo.

Esse mesmo estudo constatou que um aumento entre 15% e 20% no tempo em que se consegue trabalhar em estado de fluxo pode dobrar a produtividade. Para atingir o estado de fluxo, você deve estar 100% focado na atividade específica e ela precisa ser desafiadora, mas realizável. Ou seja, não estar além e nem aquém da sua competência.

No banco, uma ideia seria separar as atividades por tipo e executá-las dentro do mesmo período. Por exemplo: separar uma hora específica para fazer ligações ou responder e-mails, ao invés de fazer isto aleatoriamente ao longo do dia.


Teoria da Autoliderança

A autoliderança é um processo em que as pessoas conseguem ter total controle do seu próprio comportamento e se divide em três estratégias:

  • Foco no Comportamento: execução de tarefas desagradáveis, mas necessárias;

  • Recompensas Naturais: motivar-se ou sentir-se recompensado pela atividade em si, sem a necessidade de outros estímulos/recompensas;

  • Padrão de Pensamento: ser capaz de desenvolver pensamentos positivos em diferentes situações.


No banco, temos que trabalhar as 3 estratégias, ou seja, fazer tarefas que não gostamos, mas são necessárias (cobrar pendências de clientes); motivar-se independente de outras situações (buscar ser o melhor sem que isso resulte em recompensa financeira imediata); pensar positivo e não como vítima (não culpar o chefe pelo trabalho e pela cobrança, e focar no que pode ser feito).

Busca de Objetivos por meio de Intenções de Implementação

Podemos resumir isso como o pensamento de causa e efeito através do planejamento. Ou seja, quando você possui um objetivo claro, um plano de como chegar nele e de quais ações deve executar, o processo todo fica mais automatizado e natural, necessitando de menor esforço mental.

Uma analogia seria um plano de viagem, uma vez que você definiu o ponto de chegada, as rotas, o meio de transporte e o tempo de viagem, o restante se ajusta automaticamente e as tarefas são cumpridas com mais flexibilidade e naturalidade, demandando menor esforço durante o trajeto.

No banco, por exemplo, você deve saber quantos contatos deve fazer por dia para atingir um objetivo de vendas específico e, uma vez definido, será mais fácil contornar os obstáculos rotineiros e atingir os contatos necessários que te levarão ao objetivo.


Capital Psicológico

O capital psicológico, ou PsyCap, é um conjunto de quatro aspectos que resultam no acrônimo, HERO (herói, em inglês), numa clara alusão à capacidade de entrega de quem consegue desenvolver as seguintes atitudes:

  • Hope (esperança): perseverar no caminho dos objetivos traçados;

  • Efficacy (autoeficácia): confiança de assumir desafios e empregar o esforço necessário para cumpri-los;



  • Resilience (resiliência): retornar ao estado normal após a ocorrência de adversidades e problemas graves;

  • Optimism (otimismo): fazer previsões otimistas e acreditar no sucesso.

Pessoas com alto capital psicológico sabem exatamente o que deve ser feito e quais ações específicas devem executar para alcançar os resultados pretendidos, considerando os recursos disponíveis como tempo, energia e contexto. Não é preciso nem comentar a importância do PsyCap para profissionais do setor financeiro, o qual é repleto de desafios, ameaças e dificuldades, mas igualmente recompensador e cheio de oportunidades de crescimento.

O setor financeiro contrata, desenvolve e mantém os melhores profissionais disponíveis no mercado de trabalho, pois a qualidade exigida é igual ao desafio proposto em um mundo altamente competitivo e exigente, no qual os clientes possuem cada vez mais opções e informações disponíveis.

Com a pressão exercida sobre as equipes de trabalho, somente irão prosperar a médio e longo prazo aqueles que conseguirem desenvolver novas técnicas de trabalho, que aliem resultados com bem-estar, gerando maior produtividade financeira com sustentabilidade emocional.


Achou o tema interessante?


Ele é pauta da terceira temporada do EA Talks, onde o professor Roberto Cazzetta aborda com ainda mais detalhes cada tópico abordado neste artigo. Abaixo, você confere o vídeo e pode seguir, também, os outros episódios da série.





Conheça o professor Roberto Cazzetta


Cazzetta é graduado em Administração pela UFRGS, com MBA em Gestão Comercial pela FGV e Especialização em Finanças, Investimentos e Banking pela PUCRS. Tem as certificações CPA-20, da ANBIMA, e CFP® (Certified Financial Planner), emitida pela FPSB. É profissional da área há mais de 10 anos, entre experiências como bancário e professor para certificações financeiras.